O mercado tem evoluído em diversos aspectos, mas a presença feminina ainda enfrenta desafios significativos, especialmente se analisarmos os dados de forma interseccional. A comunicadora e repórter Letícia Vidica dá dicas de como as mulheres podem garantir o seu espaço.
“Somos várias, diversas. Eu sou uma preta retinta, cheia de marcadores. Então, a primeira pergunta é: de quem estamos falando? Isso é interseccionalidade, ver quais diferenças nos atravessam”, explica Letícia. Esse olhar para as singularidades dos grupos é essencial, ainda mais quando se trata de entender as necessidades de cada trajetória e avanço dentro das corporações.
Conforme dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a participação delas nas empresas aumentou consideravelmente ao longo das últimas décadas, passando de 34,8% em 1990 para 52,2% em 2023. No segundo trimestre de 2024, o nível atingiu 48,1%. Contudo, as desigualdades persistem, como exemplificado na análise de Letícia:
“Hoje, ocupamos lugares importantes, em cargos de liderança, por exemplo. Mas quem avança primeiro, em geral, são as brancas. As negras seguem ocupando, mas ainda não estão em maioria e um pouco atrás nessa corrida. Para todas as mulheres, a dica principal é tomar os espaços, buscar qualificação, profissionalismo, estudo, porque nós podemos e, apesar de tudo isso, precisamos enfrentar diariamente silenciamentos e uma série de opressões”. As pessoas do sexo feminino representem a maior parte da população brasileira (51,5%) e, entre elas, 28% são negras. De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), elas compõem 52% da força de trabalho feminina, mas, conforme pesquisa da ONU (Organização das Nações Unidas), 81% das empresas brasileiras têm, no máximo, 10% de líderes pretas.
Mulheres no mercado de trabalho: a comunidade LGBTQIAPN+
Quando o foco são as pessoas LGBTQIAPN+, as dificuldades também aumentam. Vide um levantamento realizado pela FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), apenas 13,9% das mulheres trans e travestis possuem empregos formais, evidenciando a urgência de políticas inclusivas para garantir o acesso desses grupos também às mesmas oportunidades.
“Para garantir a nossa posição profissional, o segredo é a ocupação, sendo sempre aliadas e não esquecendo de quais perfis a gente está tratando”, finaliza Letícia. O recado é claro: a luta por equidade de gênero passa pela inclusão de todas as especificidades, com suas individualidades e histórias únicas, além da busca constante por capacitação e resistência frente aos obstáculos impostos diariamente.
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